Vocação para a Advocacia. Você já descobriu se a possui?

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O tempo necessário que o advogado deve ter para alcançar a estabilidade profissional é de dez anos, em média. A carreira do advogado é construída com reputação e credibilidade, valores que são conquistados ao longo da carreira através da experiência adquirida e do sucesso acumulados. Além do mais, abrir um escritório é caro e assumir dívidas no início da carreira sem a certeza de que possui a vocação para a advocacia é temerário. Toda realização profissional depende da vocação. Caso contrário, o acúmulo financeiro será apenas uma poupança para uma vida confortável e sem prazer. Quando descobrimos nossa verdadeira vocação, nossa vida passa a ter sentido. Não apenas na esfera profissional. Falar de algo que detestamos é muito ruim, praticá-lo diariamente é pior. Praticá-lo por uma vida inteira é ainda pior.

Existem vários “sinais” ao longo da carreira que demonstram se o advogado tem vocação ou não. A falta de interesse em se atualizar em relação à legislação; acomodar-se e não criar alternativas de captação de novos clientes; sentir-se desestimulado em atender um cliente e ir ao fórum para analisar um processo; demorar tempo demais para redigir uma nova petição; deixar para o último dia do prazo para protocolar um recurso, são alguns dos sinais, no início da carreira, que podem significar o início desastroso na profissão.

Não querendo exagerar, mas o fato é que há muitas pessoas sofrendo terrivelmente porque estão envolvidas em profissões que odeiam. Algumas delas sofrem pressão tão forte que do estresse no trabalho começam a entrar em depressão e a ter vários outros problemas. Para muitas pessoas a advocacia se tornou uma verdadeira tortura diária.

Não porque estas pessoas não gostam de advogar… não! Mas porque nasceram para fazer outra coisa, completamente diferente!

É mais ou menos assim… você é apaixonado por certos assuntos, certos tipos de trabalho ou uma profissão específica (você tem vocação e talentos naturais para isso)… mas por algum motivo, você foi forçado a desempenhar um trabalho que você não gosta.

Talvez por causa da necessidade financeira ou por pressão de familiares.

Caso ainda tenha dúvidas após o terceiro ano na advocacia você deve parar e repensar a carreira. Talvez o melhor seja escolher o serviço público e dedicar-se aos estudos para ser aprovado em um concurso e fazer carreira como servidor.

Li em um blog que ao fazer uma pesquisa no Google com a frase “Eu odeio ser advogado” aparece na menos que 383 mil resultados. Relatos de advogados frustrados e depressivos que não conseguem alavancar a advocacia e passam anos insistindo na profissão à espera do grande cliente e da grande causa. Dezenas de advogados que acham a profissão estressante e com pouco retorno financeiro.

Por outro lado, na contramão desta realidade, cresce cada vez mais o número de estudantes de Direito e de advogados. Ora, se há tanta frustração dos advogados, o que faz com que a profissão continua sendo atrativa? Talvez a falta de informação sobre o mercado e sobre a realidade da advocacia durante o curso de Direito explicam esta pergunta.

O estudante de Direito não se preocupa em conhecer o mercado e quanto terá que investir para iniciar a advocacia depois que for aprovado no exame da OAB. Pensa que depois que receber a sonhada carteira de advogado os clientes vão aparecer como num passe de mágica e ganhar muito dinheiro.

Ninguém disse a ele que terá que investir dinheiro para divulgar seu nome e nem mesmo que terá, no mínimo, que mandar fazer o cartão de visitas.

O advogado iniciante é completamente cego e invisível. Se não tiver um apoio de profissionais experientes certamente desistirá da profissão.

Por outro lado, há muita demanda e muitos clientes à procura de um advogado todos os dias. Os conflitos entre as pessoas que vivem em sociedade não param de crescer e como no Brasil a cultura da conciliação ainda não funciona, o litígio é sempre a saída para a grande maioria das pessoas que necessitam brigar por seus Direitos, e, inevitavelmente, precisarão contratar um advogado.

A formação nas faculdades de Direito ainda prioriza o tratamento contencioso dos conflitos e no mercado de trabalho prevalecem critérios de cobrança a partir do litígio. Conclusão: Ainda há mercado para a advocacia.

Contudo, é preciso lembrar que a vocação e a perseverança no exercício da advocacia são fatores importantíssimos para o sucesso pretendido. Max Gehringer nos ensina que “Cada um de nós nasceu para se tornar alguma coisa na vida profissional. Mas nossos planos raramente incorporam uma variável que atende pelo nome de Destino. O Destino é aquela diferença entre o que queremos fazer da vida, e o que a vida faz de nós. Por isso, todos sonhamos com o que seremos. Mas nem todos seremos o que sonhamos. E parte desse desencontro entre a aspiração e a realidade reside em nossa falta de perspicácia para descobrir, o mais cedo possível, qual é a nossa verdadeira vocação.”

DEPOIMENTO DO AUTOR: Aos leitores deste E-book, desculpem a franqueza. Talvez vocês estejam pensando que eu esteja desestimulando a advocacia, mas penso que é preciso encarar a nossa profissão com objetividade e de acordo com a realidade.

Os advogados que já passaram por muitas dificuldades no início e que hoje são bem sucedidos, depois de muitos anos de muito trabalho e dedicação, e conseguiram o sucesso porque persistiram e sabiam que tinham vocação e talento, certamente concordarão.

Os que receberam como legado escritórios de sucesso de seus pais ou que possuem outras rendas como servidores públicos e nunca precisaram viver exclusivamente da advocacia talvez não concordem porque não vivenciaram as dificuldades pelas quais a grande maioria passa. Escrevo este texto lembrando dos milhares de colegas advogados e advogadas que atendi pessoalmente na OAB/DF quando coordenei o Escritório Modelo – Incubadora de Escritório de Advocacia durante 2 anos e 8 meses.

Atendia, diariamente, vários advogados que buscavam o serviço para esclarecer uma simples dúvida sobre um processo ou, na grande maioria, para compartilhar comigo suas frustrações com a advocacia.

Ouvi diversos relatos que impressionaram e foi quando pude constatar que a grande maioria dos advogados estavam com a conhecida “Síndrome de Burnout”.

Depois de tanto ouvir relatos desanimadores em relação ao trabalho, fiz uma pesquisa e encontrei esta síndrome que tem a ver com o fato da pessoa estar frustrada com seu trabalho, achando que a remuneração recebida não condiz com o esforço dispensado além de achar que não vale mais a pena aquele trabalho em si.

Atendi também vários colegas que já não queriam mais advogar por contra própria e buscavam apenas uma oportunidade, uma chance de um trabalho em algum escritório de advocacia sem sucesso..

Mas quero também dizer que VALE A PENA INVESTIR NA ADVOCACIA. Da mesma forma, atendi diversos advogados felizes e satisfeitos com a profissão. Muitas histórias de sucesso.

Penso que o que precisa é de mais apoio e orientação para os jovens advogados de modo que diminua os erros e as escolhas equivocadas na hora de montar o primeiro escritório, escolha do sócio e forma de sociedade, cobrar honorários e sem qualquer informação a respeito de marketing jurídico para a captação de novos clientes.

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